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Pânico Moral e Marxismo Cultural: Como o Brasil Paralelo retrata a Educação Pública do Brasil no documentário Pátria Educadora *

Juciane Pereira de Jesus

Universidade de São Paulo (Brasil)

https://orcid.org/0000-0001-9090-1993

Recepción: 25 de abril de 2025 | Aceptación: 22 de julio de 2025 | Publicación: 28 de febrero de 2026

DOI: https://doi.org/10.18175/VyS17.1.2026.6



R
ESUMO

Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa empírica desenvolvida em uma dissertação de mestrado, cujo objetivo foi analisar o projeto de contrarrevolução cultural promovido pelo Brasil Paralelo (BP) caracterizado neste estudo como uma produtora cultural de extrema-direita. O estudo concentrou-se na identificação dos temas e estratégias discursivas que estruturam esse projeto, com ênfase em seu caráter didático-formativo. A hipótese principal sustenta que a produtora mobiliza narrativas baseadas no pânico moral para reforçar valores conservadores. Adotou-se um desenho qualitativo, com a série documental “Pátria Educadora” como unidade de análise, composta por três episódios disponíveis no canal da empresa no YouTube. A amostra foi intencional, considerando a relevância temática do material para a análise do discurso sobre educação. A pesquisa apoiou-se em software Atlas.ti 7 para o tratamento dos dados, e na teoria da personalidade autoritária de Theodor W. Adorno como referencial teórico. Utilizou-se a metodologia da Teoria Fundamentada nos Dados para classificar os argumentos conforme sua frequência e relevância. Os principais resultados indicam que a narrativa do Brasil Paralelo se organiza em torno do medo parental frente a uma suposta degradação moral da juventude, apelando para uma visão idealizada da família tradicional. Conclui-se que o pânico moral é um eixo estruturador de sua comunicação política. O estudo abre espaço para futuras pesquisas sobre a relação entre mídias digitais, extremismo político e produção cultural, especialmente em contextos de desinformação e disputa ideológica no campo educacional.

Palavras-chave

Brasil Paralelo; Educação Pública; Marxismo Cultural; Pânico Moral.

Pánico Moral y Marxismo Cultural: Cómo Brasil Paralelo retrata la Educación Pública de Brasil en el documental Pátria Educadora

RESUMEN

Este artículo presenta los resultados de una investigación empírica desarrollada en una tesis de maestría, cuyo objetivo fue analizar el proyecto de contrarrevolución cultural promovido por Brasil Paralelo, caracterizado en este estudio como una productora. El estudio se centró en identificar los temas y estrategias discursivas que estructuran este proyecto, con énfasis en su carácter didáctico-formativo. La hipótesis principal sostiene que la empresa moviliza narrativas basadas en el pánico moral para reforzar valores conservadores. Se adoptó un diseño cualitativo, utilizando como unidad de análisis la serie documental “Pátria Educadora”, compuesta por tres episodios disponibles en el canal de YouTube de Brasil Paralelo. La muestra fue intencional, considerando la relevancia temática del material para el análisis del discurso sobre educación. La investigación se apoyó en el software Atlas.ti 7 para el tratamiento de datos, y en la teoría de la personalidad autoritaria de Theodor W. Adorno como marco teórico. Se empleó la metodología de la teoría fundamentada en los datos para clasificar los argumentos según su frecuencia y su relevancia. Los principales resultados indican que la narrativa de Brasil Paralelo se organiza en torno al miedo parental ante una supuesta degradación moral de la juventud, apelando a una visión idealizada de la familia tradicional. Se concluye que el pánico moral es un eje estructurador de su comunicación política. El estudio abre espacio para futuras investigaciones sobre la relación entre medios digitales, extremismo político y producción cultural, especialmente en contextos de desinformación y disputa ideológica en el ámbito educativo.

Palabras clave

Brasil Paralelo; Educación Pública; Marxismo Cultural; Pánico Moral.

Moral Panic and Cultural Marxism: How Brasil Paralelo Portrays Public Education in Brazil in the Documentary Pátria Educadora

ABSTRACT

This article presents the results of an empirical study conducted as part of a master’s thesis, which analyzes the cultural counterrevolution project promoted by Brasil Paralelo, a far-right cultural production company. The research focused on identifying the themes and discursive strategies that shape this project, with emphasis on its didactic and formative nature. The main hypothesis is that the company uses narratives rooted in moral panic to reinforce conservative values. A qualitative design was adopted, using the documentary series “Pátria Educadora”—comprising three episodes available on the company’s YouTube channel—as the primary unit of analysis. The sample was intentional, based on the thematic relevance of the material to the discourse on education. Data were analyzed using Atlas.ti 7 software, with Theodor W. Adorno’s theory of the authoritarian personality as the theoretical framework. Grounded theory methodology was used to classify the arguments according to their frequency and relevance. The main findings show that Brasil Paralelo’s narrative is structured around parental fear regarding a supposed moral decline among youth, appealing to an idealized image of the traditional family. The study concludes that moral panic is a central axis of the group’s political communication. These findings open pathways for further research on the relationship between digital media, political extremism, and cultural production, particularly in contexts of disinformation and ideological disputes within the educational field.

Keywords

Brasil Paralelo; Public Education; Cultural Marxism; Moral Panic.

IIntroduçãO 

Brasil Paralelo (BP) é uma empresa brasileira dedicada à produção e disseminação de produtos culturais para o público de direita e extrema-direita. A empresa foi fundada em Porto Alegre-RS, em 2016, e tem como sócios-fundadores os empresários Henrique Viana, Lucas Ferrugem e Felipe Valerim. A criação da empresa partiu do diagnóstico consensual entre os seus fundadores sobre a necessidade de inserção na disputa política brasileira, especialmente após a efervescência da participação da direita nacional no cenário público com os protestos de junho de 2013 e o subsequente engajamento pelo impeachment do presidente de esquerda Dilma Rousseff (Jesus, 2024, pp. 56–61).

Desde a sua fundação, o BP teve a produção de documentários como o carro-chefe de suas criações, sendo o primeiro documentário produzido o “Congresso Brasil Paralelo” (2016), uma série de seis episódios, que foram constituídos como um compilado de entrevistas com figuras públicas, com o objetivo de fazer uma avaliação de conjuntura sobre os caminhos que levaram ao impeachment e à crise social e política instaurada então. Desse modo, os documentários produzidos pela produtora cultural também se tornaram objeto de investigação para a compreensão dos argumentos mobilizados em suas produções.

Neste meio, destacam-se as análises a respeito de suas produções de maior impacto, como o documentário “1964: O Brasil entre armas e livros” (2019) (Picoli et al., 2020), que traz uma interpretação histórica revisionista sobre o golpe militar de 1964; a produção “Sete Denúncias: O caso da covid-19” (2020) (Cleto y Gruner, 2021; Costa y Cruz, 2024), que buscou abordar o significado da pandemia e as formas de enfrentamento a esta, em linha auxiliar à postura do governo federal do ex-presidente Jair Bolsonaro; e os documentários “Pátria Educadora” (2020) (Felinto, 2023; Santos, 2022), que trata da constituição do sistema público de ensino no Brasil e suas implicações, e “Brasil: A última cruzada” (2017-2018) (Moraes y Cleto, 2023), que apresenta uma narrativa sobre o processo de formação do Estado brasileiro, de modo a fazer um elogio à colonização portuguesa.

Essas análises evidenciam, em geral, a intencionalidade das produções do BP em apresentar uma cosmologia de extrema-direita baseada em formas de revisionismo histórico e na construção de atmosferas conspiratórias. Ademais, os produtos documentais são descritos como produções que buscam despertar a coparticipação da sua audiência em uma missão para recuperar a cultura brasileira, em contraposição ao que chamam de hegemonia cultural da esquerda, considerada nociva aos “reais valores” da nação brasileira (Cleto y Gruner, 2021; Felinto, 2023; Moraes e Cleto, 2023; Picoli et al., 2020; Salgado y Jorge, 2021).

Entretanto, embora os diagnósticos apresentados por esses estudos sejam certeiros, considero limitante a abordagem ensaística predominante (Cleto y Gruner, 2021; Felinto, 2023; Moraes e Cleto, 2023; Picoli et al., 2020; Salgado y Jorge, 2021), com algumas poucas exceções (Costa y Cruz, 2024; Santos, 2022). Essa forma de exposição acaba por não aprofundar nem sistematizar os argumentos mobilizados pela produtora cultural ao destrinchar a sua visão de mundo. Desta forma, a presente contribuição pretende delinear uma perspectiva sistemática ao tratar da produção “Pátria Educadora”, propondo uma análise dos argumentos mediante processos de codificação seguindo a Teoria Fundamentada nos Dados, assim como a contextualização integral de algumas das falas dos entrevistados. Por fim, propomos uma análise minuciosa e crítica dos argumentos dispostos ao longo desta produção e lançamos considerações sobre suas implicações para o ideal civilizacional de educação pública e gratuita.

PÁTRIA EDUCADORA” (2020)

O documentário “Pátria Educadora” do Brasil Paralelo (BP) apresentado em três episódios, visa descrever a formação do sistema de ensino público no Brasil, desde a educação básica até as universidades públicas. Lançado entre os dias 31 de março e 4 de abril de 2020, é condensado nos capítulos: “O Fim da História”, “Pelas Barbas do Profeta” e “Guerra Contra a Inteligência”.

Os episódios analisados da série documental têm como foco apresentar uma argumentação sobre a institucionalização da educação pública no Brasil, iniciada nos governos de Getúlio Vargas (1930 – 1945 / 1951 – 1954), com a centralização da política educacional no Ministério da Educação (MEC). Além disso, ressalta-se a influência de Paulo Freire na idealização das metodologias do sistema público de ensino. O enfoque dos vídeos está em elaborar e criticar as políticas educacionais dos governos petistas, principalmente o legado de Dilma Rousseff, com o programa “Pátria Educadora”, não por acaso escolhido como título da série.

Ao longo dos episódios, são apresentados nos vídeos argumentos focados em detalhar o que o BP entende como “doutrinação esquerdista” presente no currículo escolar. Neste sentido, é abordado o que seria o conteúdo da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que define as diretrizes da educação básica no Brasil. Os entrevistados e a linha editorial do BP destacam a influência nociva do que caracterizam como “marxismo cultural” nos currículos, apresentando o papel do professor nesse processo.

Para analisar esses temas, acolhemos como suporte teórico os estudos de Theodor W. Adorno sobre os aspectos da personalidade autoritária (2019). O livro é resultado de uma série de entrevistas realizadas no período pós-Segunda Guerra Mundial, nos Estados Unidos, entre os anos 1940 e 1950. A base metodológica desses estudos foi a aplicação de questionários e de entrevistas “clínicas”, com o objetivo de identificar traços de personalidade que pudessem revelar um padrão de comportamentos, de crenças conscientes e inconscientes de indivíduos com tendências à adesão à propaganda fascista ou de resistência a esse tipo de propaganda.

As variáveis que se destacaram para essa análise foram: convencionalismo, anti-intracepção, poder e dureza, destrutividade e cinismo, projetividade e sexo (Adorno, 2019, p. 135). Essas variáveis apresentam ideias que nos auxiliaram na análise dos argumentos apresentados ao longo dos episódios e nos ajudam a compreender como indivíduos podem ser mobilizados pelo pânico moral, por meio do acionamento de crenças cristalizadas e inconscientes, ao modo de uma máquina de ressonância (Connolly, 2021). Abaixo, apresentamos a contextualização de cada uma das variáveis.

O convencionalismo é caracterizado como uma forte adesão aos valores tradicionais de classe média. Essa postura é representada na idealização de uma vida tradicional, que atualmente é tida como o modo de vida da família tradicional brasileira, a qual inclui a formação de uma família heteronormativa (composta de mãe, pai e filho), na qual os papéis de gênero são definidos de forma estática.

A anti-intracepção é acionada no repúdio aos conteúdos de teor humanístico e crítico. No geral, caracteriza-se por uma atitude de recusa à reflexividade, que compreende a recusa de refletir sobre as próprias ações e sua relação com o contexto social mais amplo, interditando a compreensão da dinâmica da sociedade em sua natureza coletiva.

A categoria poder e dureza é acionada para expor a preocupação exacerbada com dinâmicas de dominação e submissão. Essa preocupação expressa-se na defesa dos padrões de relacionamento das pessoas em polos nos quais os mais “fracos”, ou seja, aqueles destituídos de recursos de poder, como riqueza, fama, força e influência, devem se submeter aos mais fortes.

A categoria destrutividade e cinismo é representada pelo total desprezo pelo humano, de forma a anular a empatia por aqueles que levam um modo de vida destoante daqueles com o estilo de vida convencional. Dessa forma, a destrutividade e cinismo estimulam o ensimesmamento dos grupos sociais hegemônicos, que se recusam a conviver com a diversidade da condição humana.

Segundo Adorno (2019, p. 135), a projetividade é caracterizada como “A disposição para acreditar que coisas tresloucadas e perigosas acontecem no mundo; a projeção para fora de impulsos emocionais inconscientes” e a variável sexo como “Preocupação exagerada com ‘eventos sexuais’”. No que tange a isso, ambas atuam de forma intercalada em nossa análise proposta.

Ao levar em consideração as limitações dos estudos realizados por Adorno (2019) e sua equipe, ao apontar a especificidade das suas metodologias direcionadas à análise de excertos da população norte-americana no contexto pós-Segunda Guerra Mundial. Enfatizamos a adequação desse recorte teórico para analisar discursivamente os argumentos da série ‘Pátria Educadora’ Ou seja, enquadrados enquanto uma verdade autoevidente, ancorada na afirmação de preconceitos latentes no senso comum e que, portanto, uma vez exposta, seria impossível a sua negação.

MÉTODOS

Nesta seção, apresentamos os caminhos metodológicos que nos levaram à escolha dos vídeos a serem analisados, assim como as técnicas empregadas para analisá-los. Inicialmente, apresentamos a composição da base de dados, juntamente com as primeiras análises exploratórias. Depois, contextualizamos a forma como os vídeos foram tratados, considerando basicamente o conteúdo dos argumentos com o recurso da metodologia “Teoria Fundamentada nos Dados” (Charmaz, 2009). Ademais, consideramos os recursos argumentativos, que envolvem desde o cenário escolhido até a escolha do locutor da mensagem, incluindo elementos estéticos, bem como sua apresentação no gênero documentário, que já carrega em si a pretensão de se apresentar como verdade e contém um forte elemento de autoridade.

Composição DA BASE E ANÁLISE EXPLORATÓRIA

Para a composição da base de dados, foi utilizado um conjunto de técnicas. Para o download dos vídeos, foi utilizado o software YouTube-dl. O Youtube-dl é um gerenciador de download de vídeos no YouTube, funcionando com base em comandos de linguagem de programação. Com esse software, foi possível realizar o download sequencial dos vídeos do BP com base em critérios como data de publicação, qualidade da imagem, download apenas do áudio ou do vídeo completo, e até mesmo o download de um único vídeo por vez.

Com os vídeos baixados, aplicamos um recorte temporal inserido no período pandêmico, que compreende de março de 2020 até junho de 2022 para analisar as pautas que mais repercutiam na audiência. Para isso, selecionamos os 10 primeiros vídeos em termos de engajamento, estipulados a partir do número de likes e comentários. Destes 10 vídeos, 8 eram documentários.

Por fim, para a análise dos vídeos, foi utilizado o software de análise de dados qualitativos, Atlas.ti versão 7. O software foi útil para realizar a categorização dos argumentos presentes nos vídeos, utilizando os recursos de marcação de citações. Dessa forma, foram destacados trechos dos vídeos que apresentaram argumentos centrais para a tese defendida, bem como trechos essenciais para entender a argumentação disposta pela linha editorial do BP sobre as pautas analisadas.

Figura 1 – Print Atlas.ti 7

Tela de computador com texto preto sobre fundo branco

Descrição gerada automaticamente

Fonte: Elaborada pela própria autora (2024)

ANÁLISE DOS ARGUMENTOS

Com esse recorte, fizemos a classificação dos argumentos em uma codificação mais precisa, encaixando os argumentos já mapeados em um enquadre teórico. Nessa fase, identificamos, como eixos da retórica do BP, os ataques às instituições públicas e ao serviço público de forma geral; a valorização da iniciativa privada e do discurso meritocrático, considerados dentro de um recorte neoliberal (Anderson, 2008; Harvey, 2008). Além disso, identificamos a tendência à aderência de argumentos que acionavam o pânico moral, a preocupação exacerbada com eventos sexuais e a cenas de promiscuidade, que analisaremos com base nas teorias de Theodor Adorno (2019).

Os códigos foram segmentados conforme função e tema. Consideramos a função como função estratégica do argumento, ou seja, o acionamento de um argumento programático de caráter central. Delimitamos como funções: a idealização do passado, formas variadas de ataques (à burocracia do Estado, a políticos de esquerda, a intelectuais de esquerda), a valorização da cultura ocidental, a vitimização e a perseguição. Os temas demarcavam um caráter marginal no argumento defendido, isto é, são argumentos acessórios. Determinamos como temas: a defesa da liberdade de expressão e essa como valor essencial e a corrupção.

Figura 2 – Codificação por Função

Diagrama

Descrição gerada automaticamente

Fonte: Elaborada pela própria autora (2023)

À medida que empreendemos esses processos de análise, identificamos a importância da pauta educacional para o BP. A educação está presente como um objetivo inerente às produções documentais, as quais são imbuídas de uma didática, mas também conforme objetivos formativos presentes nos programas veiculados no canal do YouTube. A educação, portanto, se concentra como o coração do Brasil Paralelo; educação como entretenimento é a principal vertente identificada em suas produções. Desse modo, delimitamo-nos a analisar o documentário que tratou dessa pauta como central, “Pátria Educadora (2020). Em suma, o recorte deste tema permitiu-nos fazer uma análise mais aprofundada sobre os objetivos educacionais do Brasil Paralelo.

Figura 3 – Codificação por Tema

Uma imagem contendo Diagrama

Descrição gerada automaticamente

Fonte: elaborada pela própria autora (2023)

Além dos argumentos verbais, consideramos a importância dos recursos argumentativos de forma auxiliar ao argumento verbal. Pensamos como recursos argumentativos: as imagens utilizadas, a trilha sonora, o cenário e os convidados selecionados para apresentar suas avaliações. Uma vez codificadas, as pautas, delimitadas no horizonte de argumentação dos vídeos, assim como os elementos dos recursos argumentativos, foram consideradas na composição da análise crítica. Neste contexto, foram considerados não apenas aqueles argumentos que mais se repetiram na retórica, mas também aqueles que, mesmo com menos frequência, eram parte relevante da construção do discurso como um todo.

RESULTADOS

EEducação  BÁSICA E O MARXISMO CULTURAL

A educação básica, especialmente a escola pública, é retratada como um ambiente sem disciplina, onde não há autoridade instaurada, e os estudantes seriam estimulados pela promiscuidade, imoralidade e pelo “marxismo cultural” nas aulas de Ciências Humanas. Nesse sentido, essa “educação” não teria como princípio educar os alunos e prepará-los para a vida adulta, que, para os comentaristas da série, seria ensinar a “ler, escrever e calcular”. Ao contrário, essa escola é apresentada como um ambiente de doutrinação política de esquerda, com o objetivo de formar militantes e aprofundar a agenda esquerdista na sociedade.

Para contextualizar esses argumentos, ao longo dos episódios são apresentadas imagens que demonstram supostas cenas de atos imorais e políticos, as quais atestam a tese da doutrinação pelo “marxismo cultural” nas escolas. A série mostra filmagens que apresentam os estudantes dançando e cenas de brigas no ambiente escolar, para demonstrar a ausência de disciplina. Além disso, há imagens de professores marcadas do que seria esse ato de doutrinação política.

Figura 4- Print do documentário “O Fim da História”, ep 1 da série “Pátria Educadora” (2020).

Fonte: Brasil Paralelo (2020), captura de tela realizada pela autora (2025)

A estratégia da série é apresentar imagens de conotação mais apelativa logo no início do filme, com o objetivo de estimular o espectador à adesão plena aos argumentos que serão desenvolvidos ao longo do episódio. Essas imagens iniciais tendem a despertar a sensação de que a tese da doutrinação marxista nas escolas é um fato inegável.

No caso citado, a série utiliza, já no início do primeiro episódio, uma cena em que estudantes, aparentemente secundaristas, cantam uma paródia do funk “Baile de Favela”, utilizando Karl Marx como referencial. Essa escolha não é aleatória, a narrativa disposta tende a reforçar nos espectadores a ideia de que valores e símbolos de esquerda estariam sendo promovidos e naturalizados no ambiente escolar.

Outro aspecto ressaltado é o mote da “ideologia de gênero”, amplamente difundida durante a campanha presidencial de 2018 pelo candidato Jair Bolsonaro (Partido Social Liberal “PSL”). A ideologia de gênero é uma retórica utilizada pela extrema-direita para retratar, de forma pejorativa, pautas relativas à sexualidade e ao gênero, evidenciadas no debate público pela esquerda.

A extrema-direita instrumentaliza os temas sobre a sexualidade e o gênero, para fomentar um clima de pânico moral na população de tendência conservadora, levando-a por meio de sua propaganda, a acreditar que as pautas sobre gênero e sexualidade, ou “ideologia de gênero”, como é denominada, pretendem: “sexualizar crianças”, “fazer meninos virar meninas” e vice-versa, além de estimular o “homossexualismo”. Assim sendo, o Brasil Paralelo aciona essa “arma” de narrativa extremista ao supostamente denunciar a “ideologia de gênero” presente na BNCC.

A construção DA IMAGEM DO PROFESSOR COMO “DOUTRINADOR”

Nos vídeos da série “Pátria Educadora”, principalmente nos episódios 1 e 3, intitulados, respectivamente, “O Fim da História” e “Guerra Contra a Inteligência”, os professores são descritos como agentes de doutrinação política nas escolas. Essa classificação é ressaltada a partir da contextualização de cenas de dramatização, juntamente com gravações do que seria esse tipo de doutrinação no ambiente escolar. A construção dessa imagem dos docentes, portanto, reforça estereótipos que associam a ineficiência da educação básica à atuação dos professores e professoras em sala de aula.

Figura 5-Print do documentário “Guerra Contra a Inteligência”, ep. 3 da série “Pátria Educadora” (2020).

Desenho de um homem

Fonte: Brasil Paralelo (2020), captura de tela realizada pela autora (2025)

Sobre esse ângulo, a fotografia construída dos docentes, por exemplo, mostrada na (fig. 5), print da abertura do episódio 3, apresenta a representação de um professor vestido com a camisa da União Nacional dos Estudantes (UNE) em sala de aula. O ambiente é retratado de forma caótica, com a ausência explícita de disciplina e de respeito à hierarquia e à autoridade do educador. Diante disso, o regente é representado em uma atitude grosseira, enquanto os estudantes correm em meio à sala.

A segunda imagem (fig. 6) retrata o que pode ser um professor de educação básica em uma cena que pressupõe uma agitação política. Dessa vez, o professor não está em sala de aula, mas encontra-se no que parece ser o pátio da escola; as imagens foram retiradas de um jornal da televisão aberta. O estereótipo do professor doutrinador é utilizado comumente na retórica da extrema-direita, visando deslegitimar o sistema de ensino público e focando em atacar campos do saber, como a História, a Sociologia e a Filosofia, os quais são associados a esse tipo de “doutrinação” política. Além disso, essa compreensão parte do princípio de que disciplinas de cunho reflexivo e crítico são “inúteis” para a formação do estudante, uma vez que não apresentam um sentido prático e objetivo. Dessa maneira, destacamos aqui o aspecto da anti-intracepção discutido por Adorno (2019) em seus estudos sobre a personalidade autoritária, que denota uma atitude contrária à reflexão, à imaginação e à compreensão subjetiva do ser social.

Figura 6-Print do documentário “O Fim da História” ep. 1 da série “Pátria Educadora” (2020)

Homem sentado em frente a televisão

Fonte: Brasil Paralelo (2020), captura de tela realizada pela autora (2025)

Com relação ao que foi discutido acima, uma das expressões deste tipo de pensamento coaduna com o movimento civil e político Escola Sem Partido (ESP). Fundado em 2004 pelo advogado Miguel Nagib, o movimento ganhou destaque ao longo de 2014, com propostas legislativas nas esferas federal, estadual e municipal. O ESP promove uma articulação entre pais, estudantes e professores para barrar o que consideram ser perspectivas ideológicas de cunho político-partidário de esquerda nas escolas. Dessa forma, busca controlar o conteúdo pedagógico e as bibliografias utilizadas em sala de aula, por meio de uma ação militante nas redes sociais, articulações no meio jurídico e político (Fernandes y Ferreira, 2021).

De acordo com o criador do movimento, o surgimento da Escola Sem Partido foi uma reação ao fenômeno da instrumentalização do ensino para fins político-ideológicos, partidários e eleitorais (Escola Sem Partido, 2018a, citado em Fernandes & Ferreira, 2021), baseado no reconhecimento de um processo denominado de “doutrinação ideológica” que, segundo o ESP, está ocorrendo nas escolas brasileiras. Este processo é caracterizado por uma relação professor-aluno de transmissão massiva de ideias e concepções particulares dos educadores para os estudantes, em que eles, como “audiência cativa”, são influenciados e passam a ter uma visão de mundo distorcida, ferindo a liberdade individual de cada estudante e a autonomia familiar de educar a criança conforme seus princípios pessoais (Fernandes y Ferreira, 2021, p. 195).

Dessa forma, o que é defendido no âmbito do Escola Sem Partido é uma inversão da lógica público e privada ou, conforme definido pela antropóloga Letícia Cesarino (Cesarino, 2022), um englobamento do contrário, da esfera pública pela esfera privada. Nesse processo, a instituição familiar sobrepõe os desígnios da educação de caráter público e plural, subvertendo, por conseguinte, as funções do Estado e da escola, em uma lógica de reconhecimento bifurcado, ou seja, a partir de uma lógica individual e particularista. Assim, os ensinamentos éticos e de cidadãos para uma educação plural e cívica, dentro do reconhecimento universal, pautados nos parâmetros da democracia liberal, são sobrepostos pelo reconhecimento bifurcado, o qual se estrutura no campo privado, familiar e religioso.

Em argumento similar, a filósofa Wendy Brown (2019) descreve como as raízes moralistas da doutrina neoliberal de Friedrich Hayek dialogam com esse tipo de fenômeno. Hayek considerava como fundamentais a conjugação do mercado e da moral no disciplinamento do comportamento do indivíduo, de modo a anular a soberania popular e a organização política ativa. Para Brown (2019), esses ideais, diluídos nas políticas neoliberais de privatização dos serviços públicos, levaram à politização da moral, de forma a propiciar o surgimento de movimentos políticos cristãos engajados na “expansão da esfera pessoal e protegida” para os espaços públicos (Brown, 2019, p. 109–150).

Conforme reiterado ao longo do texto, os argumentos apresentados pelo BP contribuem para a vilanização da imagem do professor, transformando este em um “bode expiatório” para explicar os déficits da educação pública. De modo análogo, o movimento Escola Sem Partido corrobora com essa percepção na sociedade, ajudando a consolidar o arquétipo do professor de esquerda doutrinador, mobilizando ideais identificados com aquilo que se entende como a conservação da família tradicional brasileira, isto é, o aspecto do convencionalismo, nesse sentido, acionando o pânico moral em argumentos que dão vazão a fantasias histéricas e ao fetiche com a disciplina (Adorno, 2019; 2021). Esse tipo de discurso de caráter extremista não foi inventado pelo BP nem pela Escola Sem Partido, porém, reforça a perspectiva de que o professor e a escola sejam transformados em objetos de repúdio, perseguição e controle. A posição da produtora e seu alcance no YouTube contribuem para o agravamento desse fenômeno.

CARICATURA DA UNIVERSIDADE PÚBLICA

A universidade pública é representada como um ambiente de promiscuidade, de militância política de esquerda e de desperdício de dinheiro público. A série “Pátria Educadora” constrói argumentos que se nutrem da histeria coletiva ao descrever o espaço universitário como um ambiente de libertinagem e de degradação moral. Alinhado a isso, há uma agenda privatista neoliberal, pois, se a universidade é um desperdício de dinheiro público, o “certo” seria privatizá-la.

O desprezo pelas instituições públicas é uma constante na retórica da produtora, que enfatiza sempre o mantra neoliberal do “Estado ineficiente”, articulando, por oposição simples, a iniciativa privada como fonte de toda virtude nos negócios. Os membros da produtora afirmam, de forma categórica, a suposta nulidade das contribuições científicas da ciência brasileira. Neste caso, como de praxe, concentram seus ataques nas pesquisas no campo das ciências humanas, com destaque para as ciências sociais.

Para dar maior ênfase ao argumento discutido acima, a produção da série entrevistou figuras como Abraham Weintraub, à época Ministro de Estado da Educação do Governo Bolsonaro, e Olavo de Carvalho, considerado um dos gurus do bolsonarismo, com sua própria vertente, o olavismo. O próprio Olavo faz comentários (como os transcritos a seguir) que descredibilizam a produção científica brasileira no episódio “Guerra Contra a Inteligência”:

A produção científica brasileira internacionalmente não existe! Ela simplesmente não é mencionada, ninguém quer ler essa merda! (sic) E vai ler para quê? Para perder seu tempo? O prejuízo que as Universidades dão ao Brasil são muito maior do que a corrupção, (sic), né, você pega todos os roubos de dinheiro público... A Universidade é pior (Carvalho, como citado em Brasil Paralelo, 2020a).

Como prova dessa convicção, são apresentados, no episódio 3, trabalhos acadêmicos de mestrado que versam sobre temáticas de gênero e sexualidade, como exemplos do desperdício de recursos públicos investidos pelo governo federal anualmente no ensino superior.

Figura 7-Print do documentário “Guerra contra a inteligência” ep.3 da série “Pátria Educadora” (2020).

Diagrama Texto, Carta

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Fonte: Brasil Paralelo (2020), captura de tela realizada pela autora (2025)

Assim, são dispostas para ataques as dissertações: “Sapatos têm sexo? Metáforas de gênero em lésbicas de baixa renda, negras, no nordeste do Brasil” (Soares, 2017), “Fazer Banheirão: as dinâmicas das interações homoeróticas nos sanitários públicos da estação da Lapa e adjacências” (Souza, 2012). Esta última, já amplamente atacada pela temática abordada, apesar de ter sido defendida em 2012, tornou-se alvo de críticas consecutivas organizadas pela extrema-direita em meados de 2016. Devido à atenção direcionada ao texto acadêmico, o Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), pelo qual a dissertação foi defendida, sentiu-se pressionado a emitir uma nota institucional em apoio ao trabalho acadêmico.

O argumento não é novo, o debilitado Movimento Brasil Livre (MBL), há menos de dez anos4, empreendia campanhas públicas e online de repúdio a determinados temas pesquisados nas ciências sociais, especialmente os relacionados ao gênero e à sexualidade. Alguns integrantes do movimento, usando fantasias que simulavam o órgão genital feminino, interromperam aulas sobre sexualidade como forma de ridicularizar e intimidar5 o corpo docente. Em outra ocasião, mobilizaram uma campanha de histeria coletiva, instrumentalizando o pânico moral em relação a uma exposição no Queermuseu, financiada pelo banco Santander (Freitas Filho, 2019, pp. 123–129).

Os ataques mencionados visam descredibilizar a universidade como produtora de conhecimento cientificamente válido e controlar as temáticas estudadas. Assim, o MBL defende que temas relacionados ao gênero e à sexualidade não são “úteis” à sociedade e, portanto, não deveriam ser financiados com recursos públicos. Essa lógica busca sedimentar como válido apenas o tipo de conhecimento que possa ser incorporado na produção capitalista. Ou seja, pesquisas que gerem produtos físicos e tecnologias que possam implementar a geração de mais-valia das empresas privadas. Dessa forma, o conhecimento científico válido é apenas aquele de caráter instrumental (Marcuse, 1973).

Outra fonte de ataque às universidades públicas é o apelo ao pânico moral, semelhante ao dirigido às escolas, em narrativas de promiscuidade e degradação. Nessas narrativas, destaca-se o aspecto de projetividade dessa argumentação. O apelo, nesse caso, é direcionado aos pais que consomem esse tipo de conteúdo, canalizando seus medos de perder o controle sobre seus filhos e de romper com as expectativas de que eles tenham vidas “normais e convencionais”, de acordo com o modelo da família tradicional brasileira.

O episódio supracitado exibe fotos do tipo “antes e depois” de jovens, antes considerados “normais”, os quais foram transmutados em militantes de esquerda, com o intuito de demonstrar como a passagem pelo ambiente universitário “degradou” a aparência desses.

Figura 8– Print do documentário “Guerra contra a inteligência” ep.3 da série “Pátria Educadora” (2020).

Mulher com cabelos longos

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Fonte: Brasil Paralelo (2020), captura de tela realizada pela autora (2024)

O comentário de Rafael Nogueira, nomeado Presidente da Biblioteca Nacional (2019-2022), durante o governo do presidente Jair Bolsonaro, pelo então secretário da Cultura, Rafael Alvim, canaliza esse aspecto.

Mães que chegaram pra (sic) mim com olhos marejados dizendo “eu perdi a minha filha”, aí como assim né, “eu perdi minha pro (sic) partido, para esses movimentos que tão acontecendo aí. Movimentos ligados a partidos políticos que estão transformados em grêmios estudantis e coisas assim...” (Nogueira, como citado em Brasil Paralelo, 2020a)

Nesse contexto, há a utilização do recurso da mimese inversa. A mimese inversa, conforme descrita pela antropóloga Letícia Cesarino (Cesarino, 2022), é a sobreposição hierárquica entre símbolos e identidades opostas. Esse recurso é utilizado por grupos para construir alteridade e identidade, estabelecendo as fronteiras entre o eu e o outro. Na extrema-direita, a mimese-inversa tem sido instrumentalizada para criar fronteiras dicotômicas absolutas entre os polos ideológicos da direita e da esquerda. Desse modo, tudo que é associado à esquerda é colocado no polo absoluto do mal, enquanto a direita representa a virtude e o bem. Nesse conceito específico de mimese, a esquerda é retratada como um polo de censura no ambiente acadêmico, enquanto a direita é representada como defensora da liberdade, especificamente da liberdade de expressão.

Ainda que de forma sucinta, podemos inferir que os ataques às universidades públicas visam a desacreditá-las como ambientes produtores de conhecimento científico válido, principalmente nas áreas de ciências humanas. O argumento de desperdício de recursos públicos nesse campo abre espaço para teses de cunho privatista, que se nutrem do pânico moral para retratar esse ambiente como libertino e indecente. Por último, mas não menos importante, com base no que é apresentado no episódio 3 “Guerra Contra a Inteligência”, da série “Pátria Educadora”, podemos depreender que o espaço universitário é retratado como limitador das liberdades de expressão de pessoas de direita ou conservadoras, reduzindo sua função social como um polo reprodutor da esquerda institucional, uma das teses da guerra cultural olavista (Firmino Rodrigues, 2020).

PAULO FREIRE, O PT6 E A PÁTRIA EDUCADORA

Na trilogia “Pátria Educadora”, o Brasil Paralelo defende a tese de que a educação básica estatal, assim como a educação nas universidades públicas, especificamente nas disciplinas das humanidades, desenvolve um projeto ideológico de viés esquerdista. Isso consistiria na influência ativa sobre as crianças, exercida por professores esquerdistas em sala de aula, buscando a conversão política e a transformação contínua do corpo estudantil em militância política para a esquerda ou, pelo menos, em aliados silenciosos, que aderem ao consenso progressista, como já analisado nos tópicos anteriores.

Embora o termo “Pátria Educadora” esteja vinculado diretamente a um dos objetivos do governo Dilma Rousseff, cujo lema era “Brasil, Pátria Educadora”, a linha editorial do BP, juntamente com a maioria dos entrevistados em suas produções cinematográficas, demonstra que esse projeto remonta ao princípio da centralização e da estatização da política educacional no MEC, a partir dos governos do presidente Getúlio Vargas (1930–1945 e –1951–1954).

Sob esse ponto de vista, de forma geral, parece que o BP e os participantes da “Pátria Educadora” depreendem que a educação laica, universal e gratuita provida pelo Estado representa um decréscimo de qualidade humanista e ética em relação à educação que era praticada pela Igreja Católica, por meio dos Jesuítas no processo de colonização do Brasil. Eles também se inspiram na filosofia grega, um modelo educacional privado e elitista, no qual grandes mestres filósofos eram tutores de aprendizes privilegiados. Em síntese, o argumento principal apresentado do primeiro episódio, “O Fim da História”, destaca a ideia de que o Estado pretende exercer a dominação ideológica por meio de seus aparelhos educacionais e formar cidadãos para o exercício do trabalho, o que faz com que se perca a inspiração na busca da verdade, encontrada na educação grega clássica.

A estratégia identificada na construção do argumento principal enfatiza o uso de imagens apelativas, que estimulam a percepção de decadência moral associada à educação estatal. Diante disso, a “Pátria Educadora” nunca é formalmente conceituada, mas, ao longo dos episódios, a coleção de imagens, vídeos e falas, tanto dos entrevistados quanto as retiradas de telejornais ou de políticos, pode induzir o espectador à conclusão de que a “Pátria Educadora” tem relação com resultados ruins na aprendizagem, doutrinação esquerdista nas aulas, estímulos sexuais em menores, uso de drogas e indisciplina.

Figura 9 - Quadro com coleção de imagens sobrepostas que seguem o texto acima
na abertura do primeiro episódio da série Pátria Educadora (2020).

1 – Ex. de indisciplina nas salas de aula

Ex. de indisciplina nas salas de aula

2 – Professor doutrinador

Professor doutrinador

3 – Cortes no orçamento da Educação executado pelo governo Dilma (PT)

4 – Resultados ruins do Brasil em exames internacionais sobre educação

5 – Cartilha com conteúdo sexual distribuída nas escolas

6 – Dilma anunciando o programa Pátria Educadora

7 – Drogas encontradas em diretório acadêmico

8 – Manifestação política da esquerda


Fonte: Brasil Paralelo (2020), captura de tela realizada pela autora (2024)

Nos demais episódios, “Pelas Barbas do Profeta” e “Guerra Contra a Inteligência, consolida-se a argumentação do que defende a “Pátria Educadora” propriamente dita, traçando um paralelo entre a influência da visão educacional defendida pelo educador Paulo Freire no Estado brasileiro desde a década de 1960, em decorrência da experiência alfabetizadora no município de Angicos, no Rio Grande do Norte (RN).

[...] Paulo Freire vai ter aí alcançado o nível de expressão pública em 1963 e 1964, que já o tornara de fato o protagonista da política brasileira. Porque note, o que é interessante, na abertura de Angicos, o governador do Rio Grande do Norte lá estará, e no encerramento da experiência de Angicos nós vamos ter todos os governadores do Nordeste, mais a presença de João Goulart, e também, a presença de Castelo Branco. Castelo Branco, general, próximo presidente do Brasil, ele de fato estará também na experiência de Angicos. Nós temos ali o aparelho estatal já constituído, no início do ano de 1964, em janeiro, a consolidação do chamado plano de alfabetização, embasado nas teses de Paulo Freire. Castelo Branco viu isso, e já atento não só à política nacional de educação do governo Jango, desenvolvida em janeiro de 1964, mas ele já percebeu, “aqui nós temos um problema” (Giulliano, como citado em Brasil Paralelo, 2020c).

Sob essa abordagem, o argumento de Thomas Giulliano, autor do livro “Desconstruindo Paulo Freire(2017), deixa implícita a percepção de perigo representada pelo avanço de uma política educacional alfabetizadora inspirada no método desenvolvido por Paulo Freire. A corroboração da perspectiva de que esse projeto educacional seria um “problema”, conforme a citação de Castelo Branco, também pode reforçar a tese conspiratória que justifica o Golpe Militar de 1964, de setores das Forças Armadas, em função do medo de uma “ameaça comunista”, (Leirner, 2020).

Entretanto, os próprios entrevistados afirmam que, embora tenham tentado impedir o avanço do “comunismo”, os militares brasileiros não foram bem-sucedidos nessa missão. Assim, a esquerda brasileira, cada vez mais, criou raízes no ambiente acadêmico e exerceu influência na questão educacional em nível nacional, logo, ampliando esse nível de influência ainda durante o regime militar e exercendo verdadeiro domínio nessa pauta após a redemocratização. Isso pode ser constatado nas transcrições dos comentários de Alexandre Costa, Thomas Giulliano e Olavo de Carvalho feitos no episódio “Pelas barbas do Profeta”:

Ao longo do período militar, ao longo do regime... É, lentamente as estruturas educacionais foram sendo aparelhadas, não havia concurso público, os professores eram convidados nas universidades, e tal. É, quando eu ingressei na Universidade em 1981, ainda no que foi chamado de distensão lenta e gradual, né. Eu já tive professores da Santa Ursula, que faziam uma doutrinação bibliográfica, por exemplo, eu fui doutrinado na Universidade a não ler de modo algum Gilberto Freire, porque ele havia defendido a Ditadura. Então o professor em sala de aula, ainda no regime militar, “não, vocês não leiam Casa Grande e Senzala”. (Costa, como citado em Brasil Paralelo, 2020c).

Enquanto Paulo Freire esteve fora do Brasil, seus textos aqui circularam. Ele foi alçado a um protagonismo ainda maior pelo Conselho Mundial de Igrejas no exterior. Então, censurado? No papel sim, todavia na prática, na realidade, não era o que acontecia. E ficaram [os militares] tanto tempo no poder com a justificativa de limpar o Brasil “do comunismo”, e deixaram tudo preparado para os comunistas, né (sic) (Giulliano, como citado em Brasil Paralelo, 2020c).

É absolutamente falso dizer que as nossas forças armadas, libertaram o Brasil do comunismo. Absolutamente falso (Carvalho, como citado em Brasil Paralelo, 2020c)

Nessa construção de narrativa, a “Pátria Educadora” pode ser incluída no bojo da “guerra cultural esquerdista” ou “revolução gramsciniana”, tese popularizada por Olavo de Carvalho no Brasil. Essa tese afirma que, diante da derrota da revolução socialista armada – no país representado, sobretudo, pela guerrilha do Araguaia nas décadas de 1960 e 1970 –, a esquerda latino-americana teria se organizado para realizar uma revolução dentro dos aparelhos do Estado, por meio da ocupação de cargos públicos e do exercício de sua influência ideológica nessas instâncias (Leirner, 2020). Assim, seguindo essa linha de pensamento, o projeto da “Pátria Educadora” ressurge com força na redemocratização, desta vez em uma aliança entre Paulo Freire e o Partido dos Trabalhadores “PT”.

O conceito que o PT tem de educação, tá (sic) ligado com Paulo Freire. Não era atoa que ele estava filiado ao partido, não era atoa que ele foi secretário da Educação em São Paulo, não era atoa. Realmente, o partido pensa assim. Isso que acontece nas Universidades Federais, essas cenas terríveis que vemos, do estado em que estão as Universidades Federais, [...] Né... (sic) A intolerância, em relação a toda forma de divergência em sala de aula, que não é outra coisa senão aquilo que acontece na sala dos professores. E aí vem os relatos que se recolhem, cada vez que se aborda esse assunto, corroborando, uma realidade que é triste. É realmente a pátria educadora, deste tipo de educação com este tipo de resultado, para produzir esse país que vemos (Puggina, como citado em Brasil Paralelo, 2020c)

Figura 10-Imagens de Paulo Freire e Luiz Inácio Lula da Silva – Cenas de manifestações políticas.

Foto preta e branca de homens posando para foto

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Grupo de pessoas sentadas

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Fonte: Brasil Paralelo (2020), captura de tela realizada pela autora (2025)

Em suma, podemos inferir que o conjunto de argumentos distribuídos nos três episódios da série, principalmente o episódio “Pelas Barbas do Profeta”, sintetiza a tese da “Pátria Educadora” como um projeto político, que, ao mesmo tempo que foi encabeçado por Paulo Freire e fortalecido pelo PT no poder, possui, de certa forma, autonomia de desenvolvimento no Estado brasileiro, pois se perpetua por meio da educação estatal e não necessita mais da atuação direta de Paulo Freire nem do próprio PT no poder.

Nesse caso, considera-se que os professores das disciplinas humanísticas dão prosseguimento a esse projeto, uma vez que são alinhados com esses propósitos em sua formação universitária. Assim, o projeto político compreende que o ideal de “Pátria Educadora” já se consolidou como uma política de Estado e deve ser combatido por meio da atuação dos pais e da religião no âmbito educacional, com monitoramento dos conteúdos ensinados em sala de aula, alinhado à oferta de outros formatos de educação básica fora da influência do Estado, por exemplo, o homeschooling.

DISCUSSÃO

Falamos até aqui de aspectos da crítica da produtora Brasil Paralelo à educação brasileira, especificamente à educação pública, em suas modalidades no ensino básico e no superior. Apresentamos os argumentos utilizados, que vão desde a desqualificação da qualidade do ensino, a partir de apresentação de rankings nacionais e internacionais, até críticas ao aporte de dinheiro público investido.

O principal foco do Brasil Paralelo está em caracterizar o ensino público, principalmente os cursos de ciências humanas. Essas disciplinas nas escolas são consideradas como os principais motes de politização da educação em prol de uma agenda política de esquerda. O BP utiliza o que denomina de “ideologia de gênero” e outras pautas afins ao progressismo em modelos de retórica, que classificamos conforme os estudos de Adorno (2019) sobre a personalidade autoritária.

Identifica-se também o recurso da idealização do passado, já amplamente mencionado ao longo dos episódios, seja na referência à Antiguidade Clássica, com a educação provida pelos filósofos, seja nos tempos da colonização portuguesa no Brasil, quando a educação esteve sob responsabilidade da Igreja Católica, para contrastar com o atual cenário de decadência moral da educação pública provida pelo Estado, conforme direcionamento dado nos três episódios da série “Pátria Educadora”.

Durante as entrevistas dessa série, o tema da aquisição do ensino público universal, sem dúvidas, uma das conquistas da luta internacional dos trabalhadores e a afirmação de um direito humano, é tida como algo ruim. O BP e seus convidados classificam a educação universal, fornecida pelo Estado, como “ensino compulsório”, ao qual atribuem um aspecto negativo e de obrigação perante o indivíduo. Eles se revelam, nesses momentos, contrários a uma agenda de avanços dos direitos humanos que se inaugura a partir do marco da Revolução Francesa.

Assim, entendemos que o projeto educacional, disposto pela produtora Brasil Paralelo, pode ser considerado como uma agenda multifocal de atuação. Esse projeto, atrelado a alguns eixos, por um lado, incentiva práticas como o homeschooling; por outro, busca exercer influência sobre o conteúdo da educação pública, principalmente no ensino básico. Essa influência deve ser sentida por meio da implementação de um projeto pedagógico que reforce valores e crenças individuais, com a forte participação das famílias nesse processo7. Além disso, o projeto defende, de forma explícita, a privatização do ensino superior e reforça práticas elitistas que limitam o avanço da democratização do ensino observada nos últimos anos, a partir da implementação de políticas afirmativas, como as cotas raciais e sociais.

Nesse sentido, a empresa de audiovisual defende uma educação de cunho particularista, tradicional, religiosa e antidemocrática. Ademais, deve-se acrescentar que, apesar da temática central tratada na série “Pátria Educadora” ser a educação, o objetivo das produções audiovisuais do BP é apresentar um caráter pedagógico generalizado, no âmbito de uma educação não formal que nutre os seus telespectadores de valores antidemocráticos.

CONCLUSÕES

Este artigo teve como objetivo realizar uma análise sistemática da série documental “Pátria Educadora”, produzida pela empresa de extrema-direita Brasil Paralelo. A investigação buscou categorizar os principais argumentos apresentados ao longo dos três episódios, a fim de compreender a estrutura discursiva que sustenta a narrativa proposta pela produtora.

Como resultado, identificamos a mobilização de um discurso que ataca a educação pública brasileira, especialmente nas etapas básicas e nas universidades públicas, sob a alegação de uma suposta hegemonia do “marxismo cultural”. Essa ideologia, segundo o documentário, seria propagada por professores — sobretudo das áreas de ciências humanas — que atuariam como doutrinadores políticos. Tal narrativa estabelece uma cadeia causal que parte da formação desses docentes nas universidades públicas, passa pela influência de Paulo Freire e culmina na chegada do Partido dos Trabalhadores ao governo federal, consolidando, segundo o documentário, um projeto de aparelhamento ideológico da educação.

Essa argumentação se ancora em uma metanarrativa mais ampla, frequentemente atribuída a Olavo de Carvalho, segundo a qual a esquerda teria migrado para as instituições culturais após o fracasso da luta armada na década de 1970. Nesse sentido, o documentário do BP constrói uma interpretação histórica verossímil para seu público-alvo, articulando revisionismo, denúncia e mobilização emocional.

A contribuição central deste artigo reside, portanto, na proposta de uma metodologia que vá além da crítica ensaística, permitindo o desmembramento dos argumentos utilizados e sua contextualização ideológica. Apontamos ainda, a necessidade de aprofundar investigações futuras em aspectos pouco explorados, como o perfil dos entrevistados — que se apresentam como intelectuais dissidentes — e a dimensão estética e sonora das produções, que desempenham papel fundamental na construção do apelo emocional.

Por fim, destacamos a importância de estudos sistemáticos sobre as mídias alinhadas à extrema-direita no Brasil. Compreender sua atuação é essencial para interpretar o avanço da legitimação social e política de discursos conservadores, seus efeitos sobre a esfera pública e suas implicações diretas nas políticas educacionais e culturais do país.

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Juciane Pereira de Jesus

Doctoranda en Sociología por la Universidad de São Paulo (USP). Magíster en Ciencias Sociales (2024) por la Universidad Federal de Bahía (UFBA) y licenciada en Ciencias Sociales (2022) por la misma institución. Miembro e investigadora del Laboratorio de Humanidades Digitales (LabHD/UFBA). Sus áreas de investigación incluyen Sociología Digital, Métodos Digitales de Investigación, Redes Sociales, Desinformación relacionada con la salud, Extrema derecha en Brasil y Teorías de la Conspiración. Entre sus publicaciones recientes se encuentran: Jesus, J. P. de, Nascimento, L. F., Cesarino, L., Fonseca, P., & Barreto, T. (2024). Tradições de pensamento anticomunista: As teorias da conspiração e o modus operandi do golpismo em grupos bolsonaristas do Telegram. Nova Série, 13 (Outono/Inverno), 474–503. https://apd.org.br/sumario-13/; Wedderburn, R. S. M., Jesus, J. P. de, Teixeira, G. de S., Nascimento, L. F., Cesarino, L. M. C. da N., & Barreto, T. B. (2024). Representações meméticas de “nós e eles”: Humor e discurso de ódio em chats do Telegram. Aurora. Revista de Arte, Mídia e Política, 17(49), 136–176. https://doi.org/10.23925/1982-6672.2024v17i49p136-173


  1. *Este artigo é resultado de uma dissertação de mestrado da Universidade Federal da Bahia, financiada pela instituição de fomento à pesquisa científica Capes (Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). A correspondência relativa a este artigo deve ser dirigida a Juciane Pereira de Jesus: juciane_pereira1997@outlook.com

  2. 1 União Nacional dos Estudantes é a organização máxima dos estudantes brasileiros e representa estudantes de graduação nos 26 Estados e do Distrito Federal. Atualmente, representa cerca de seis milhões de estudantes.

  3. 2 UFBA. Nota de Apoio PPGA - Tedson da Silva Souza | Programa de Pós-Graduação em Antropologia. In: 16 maio 2016. Disponível em: https://ppga.ufba.br/pt-br/nota-de-apoio-ppga-tedson-da-silva-souza. Acesso em: 11 abr. 2023.

  4. 3 Movimento Brasil Livre, Think Tank Brasileiro da direita despontou, a partir do uso das redes sociais e de memes, nos anos de 2013.

  5. 4 Em meio aos anos 2014 e 2020 o MBL se notabilizou por ser um movimento político de extrema direita que ensaiava técnicas de comunicação política, seja por meio de memes e vídeos ou performances públicas, que contribuíram para a redução do espaço de debate político entre campos opostos no Brasil.

  6. 5 UOL. Arthur do Val: atitudes machistas do deputado. São Paulo, SP, 10 mar. 2022. Disponível em: https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2022/03/10/arthur-do-val-atitudes-machistas.htm. Acesso em: 10 abr. 2023.

  7. 6 Partido dos Trabalhadores

  8. 7 No interlúdio de cada uma das produções, o narrador dos episódios, Felipe Valerim, incentiva a ação militante do seu público, o qual é convocado para a missão de ressignificar a educação no Brasil, por meio da “recuperação de valores e costumes do povo brasileiro”.