Antípoda. Revista de Antropología y Arqueología

Antipod. Rev. Antropol. Arqueol | eISSN 2011-4273 | ISSN 1900-5407

Arqueologia para a América Latina no século XXI

No. 36 (2019-07-01)
  • Alexander Herrera Wassilowsky
  • L. Antonio Curet

Resumo

Objetivo/contexto: o propósito deste artigo é propor o marco histórico e teórico da arqueologia latino-americana para contextualizar os ensaios incluídos neste volume. Propõe-se que as mudanças recentes nesta disciplina surgem como parte de uma autoavaliação dos arqueólogos em relação com a origem colonialista desta ciência. Metodologia: o artigo começa com uma breve discussão das mudanças significativas mais recentes que tem estabelecido novas normas na disciplina, criados pela obrigação do arqueólogo de enfrentar-se a duas realidades: a primeira é a mencionada origem colonialista da arqueologia, em especial quando se considera a total ausência do relato indígena em nossas reconstruções de seus ancestrais; a segunda é o avanço do capitalismo e o desenvolvimento econômico, acompanhado por interesses políticos que incluem, entre outras coisas, o uso de lugares e artefatos arqueológicos para o desenvolvimento turístico ou o registro de sua destruição como antessala a projetos industriais de infraestrutura ou extrativos. Apresenta-se uma breve contagem da disciplina na região, desde o século XVIII até os movimentos nacionalistas e o presente, na que também se propõe o desafio de construir narrativas alternativas às propostas pelo eixo hegemónico das ciências tradicionais e, sobretudo, o desafio de reconhecer e incluir as vozes silenciadas do passado. Conclusões: termina-se o texto apresentando os artigos deste número e contextualizando-os brevemente dentro desta nova perspectiva na arqueologia de América Latina, para concluir que, em décadas recentes, a arqueologia latino-americana tem tomado novos rumos como resultado da reflexão sobre seu passado colonial. Originalidade: em particular, esta arqueologia pós-colonial, como a chamam alguns, nos desafia a desenvolver perspectivas, métodos e interpretações alternativas que sejam mais incluyentes e abrangentes, ao mesmo tempo que realistas. A contextualização do problema colonial dentro das condições sociais, históricas, econômicas e políticas da região é chave para um entendimento desta arqueologia emergente e para motivar um diálogo entre arqueólogos e partícipes do patrimônio, tanto no âmbito nacional como no internacional, que promova uma arqueologia mais justa e inclusiva.

Palavras-chave: arqueologia contemporânea, arqueologia latino-americana, arqueologia pós-colonial, colonialidade, história da arqueologia, patrimônio

Referências

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