O “quilombo da televisão” e a sua limpeza: um olhar antropológico sobre o barraco como tecnologia do self no oikos
No. 38 (2020-01-01)Autor(es)
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Bárbara GalarzaUniversidad Nacional del Centro de la Provincia de Buenos Aires, Argentina
Resumo
Objetivo/contexto: analiso uma prática doméstica diária realizada por donas de casa de uma cidade industrial na região dos Pampas, Argentina. As pessoas chamam essa hora do dia, informalmente, de “levantar a mesa com o quilombo da televisão de fundo”. Com vistas a entender esse âmbito da subjetivação contemporânea, inscrita no oikos da classe trabalhadora como uma tecnologia do eu, descrevo as metáforas e símbolos naturais que um programa televisivo de fofocas e escândalos de celebridades ativa. Metodologia: este material é resultado de uma abordagem etnográfica às práticas realizadas, entre 2015 e 2017, por um grupo de mulheres de 25 a 55 anos. Com um enfoque dialético, a simultaneidade das tarefas domésticas é descrita e objetivada, especialmente as opacas para os atores, prestando atenção tanto no que dizem quanto no que fazem. Conclusões: ao assistirem brigas em programas de fofoca na televisão, enquanto limpam a casa, as mulheres exibem uma tecnologia do eu constituída por um texto cultural, através do qual experimentam o pior de si. Essa tecnologia ativa sua limpeza e produz a animalização do sujeito e, depois, sua objetificação. Assim, o eu é transformado na ferramenta de trabalho que o corpo manipula diariamente. Originalidade: a visão antropológica desenvolvida para abordar o “quilombo da televisão” e sua limpeza é baseada em uma interpretação geertziana da educação sentimental das mulheres por meio de barracos. A análise cultural de seus símbolos naturais e metáforas é complementada pela explicação foucaultiana do exercício de poder que a descoberta do eu constitui para o sujeito moderno. Essa combinação torna compreensível o processo sociocultural em que as donas de casa do capitalismo tardio são identificadas com animais, esponjas e pano de chão.
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