E eu…, para quem choro? Manifestações do luto no Jardín Cementerio Universal de Medellín, Colômbia
No. 46 (2022-01-01)Autor(es)
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Paola Stefanía Quintero CardonaUniversidad Pontificia Bolivariana, Bucaramanga, Colombia
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Claudia Lorena Gómez SepúlvedaUniversidad Pontificia Bolivariana, Bucaramanga, Colombia
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Mónica Johanna Giedelmann ReyesUniversidad de Santander, Bucaramanga, Colombia
Resumo
Os cemitérios são cenários propícios para expressar o luto de um ente querido. Essas expressões apresentam lógicas sociais particulares devido à existência do corpo sepultado. Contudo, como a relação da pessoa que está de luto se transforma quando não existe corpo em consequência de um desaparecimento forçado? As interações das pessoas que estão passando pelo luto são diferentes quando existe um corpo identificado de quando não? A partir dessas perguntas como guias de reflexão, é apresentado o Jardín Cementerio Universal de Medellín como um espaço que revela estratégias usadas para transitar o luto complexo diante do falecimento de um ente querido. O objetivo desta pesquisa é evidenciar as manifestações de luto presentes em túmulos com corpos identificados e não identificados. Para isso, foi realizado um exercício etnográfico que envolveu uma análise qualitativa da cultura material funerária e observação não participante. Este estudo documenta a importância de ter um espaço físico, a lápide, onde se possa elaborar o processo de luto por um ente querido. É constatado que esse espaço é especialmente relevante no caso de vítimas indiretas por atos de desaparecimento forçado. Essas pessoas vivem lutos complexos ante a carência de um túmulo onde alojar a corporalidade de seus entes amados. Finalmente, com esse exercício, pretende-se ressaltar o papel dos cemitérios como lugar de memória e espaço pedagógico que permite expressar os processos sociais que suas comunidades vivenciam. Nesse caso, a necrópoles é um espaço que testemunha os atos de violência que a Colômbia vem sofrendo.