A origem da Comissão Provincial pela Memória da província de Buenos Aires, Argentina (1999-2000)
No. 97 (2019-01-01)Autor(es)
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Santiago Cueto RúaUniversidad Nacional de La Plata (Argentina)
Resumo
Objetivo/contexto: este artigo tem como objetivo mostrar e analisar o processo de surgimento da Comissão Provincial pela Memória (CPM) da província de Buenos Aires (Argentina). O trabalho parte de uma referência histórica que nos permite recriar o contexto em que esta instituição foi criada, especialmente como a sociedade argentina havia tramitado esse passado recente traumático. Metodologia: a pesquisa foi orientada por um delineamento flexível que cruza as estratégias metodológicas da sociologia, história e antropologia. A questão que norteou a pesquisa foi como ocorreu a inscrição da Comissão Provincial pela Memória no âmbito do campo dos direitos humanos e da memória. Para respondê-la era necessário recuperar, através de documentos escritos, qual a forma institucional que a Comissão tinha adquirido para ver quais eram seus objetivos, seus regulamentos internos, seus modos de funcionamento e sua composição. Por outro lado, a análise dessas fontes escritas foi realizada por meio da interligação com fontes orais. Conclusões: neste trabalho, mostra-se que para compreender o processo de surgimento da Comissão Provincial pela Memória, e também algumas das características centrais que a instituição cobrava, era necessário rever os atores que protagonizaram esse processo e o contexto em que agiram. Em termos de memória, o que a CPM repunha era um relato centrado no horror, ou seja, no que a ditadura tinha feito com as vítimas, sem prestar atenção ao que esses atores tinham feito antes de se tornarem vítimas, isto é, sua militância política. Isso implicava a cristalização da narrativa humanitária sobre outras memórias que ressaltam a importância de lembrar dos projetos políticos que as vítimas representavam. Em relação ao lugar da enunciação, a Comissão enfrentou um processo de “abertura do círculo dos que se lembram” e também dos que produzem essas memórias. Ou seja, da CPM esperava-se que os familiares dos desaparecidos não fossem a única voz autorizada a falar do passado recente e, para assumir essa disputa, a instituição buscou se sustentar em uma voz profissionalizada que validasse suas afirmações, não tanto na experiência pessoal senão na expertise. Originalidade: normalmente, os estudos sobre o passado recente na Argentina partem da pergunta da relação entre a sociedade civil e o Estado, concebendo-os como se fossem compartimentos estanques. Essas perspectivas analíticas e metodológicas concebem os movimentos sociais como atores que demandam o Estado de uma posição de exterioridade, e o Estado, a partir dessa posição, como um ator que responde de uma forma mais ou menos satisfatória a essas demandas. O que essas perspectivas não advertem é a zona de porosidades que existe entre a sociedade civil e o Estado. Dessa forma, este trabalho difere das perspectivas que supervalorizam a distância entre essas esferas e retoma um olhar atento a essa área de confluências. Esta pesquisa procurou dar conta de um processo histórico específico e investigá-lo com uma profundidade analítica que permitisse evitar a simples descrição.
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