Percepções sociais sobre a corrupção política no Brasil: práticas corruptas versus atuação dos órgãos de controle
No. 105 (2021-01-01)Autor(es)
-
Antonio Barros TeixeiraPrograma Mestrado em Ciência Política do Centro de Formação da Câmara dos Deputado (Brasil)
-
André Guimarães Rehbein-SatlherPrograma Mestrado em Ciência Política do Centro de Formação da Câmara dos Deputado (Brasil)
-
Malena Rehbein RodriguesPrograma Mestrado em Ciência Política do Centro de Formação da Câmara dos Deputado (Brasil)
Resumo
Objetivo/contexto: a corrupção política é um dos principais desafios para a qualidade e a consolidação da democracia no Brasil, diagnóstico reiterado de forma recorrente com a sequência de escândalos políticos. Com base nesse contexto, o artigo tem como objetivo analisar as percepções sociais sobre a corrupção política no contexto brasileiro recente, a partir de um websurvey aplicado em 2017. Metodologia: o estudo está ancorado em dois focos analíticos complementares. O primeiro está no exame de como os respondentes avaliam as práticas de corrupção política no Brasil, na tentativa de buscar similaridades e/ou convergências entre as esferas municipal, estadual e federal, e entre os diferentes poderes. O segundo tenta captar como os cidadãos percebem a atuação dos órgãos de controle, no que se refere ao empenho no combate à corrupção política. Conclusões: os resultados mostram que a quase totalidade dos respondentes (95,67%) percebe a corrupção como prática comum no Brasil. Fatores como renda e escolaridade interferem diretamente na percepção das práticas corruptas, ou seja, quanto maior a renda e a escolaridade, maior a opinião de que a corrupção política é elevada. A Polícia Federal e o Ministério Público são vistos como os órgãos mais eficientes no controle e combate à corrupção. Originalidade: o estudo destaca-se pelo paralelo realizado entre os dois focos analíticos acima destacados, contribuindo para a compreensão não apenas das percepções sociais sobre a corrupção política, mas também sobre a atuação dos órgãos de controle.
Referências
Abramo, Claudio Weber. 2005. “Percepções pantanosas: a dificuldade de medir a corrupção”. Novos Estudos — Cebrap 73: 33-37.
Araújo, Marcelo e OscarAdolfo Sanchez. 2005. “A corrupção e os controles internos do Estado”. Lua Nova 65: 137-173.
Avritzer, Leonardo e FernandoFilgueiras. 2011a. Corrupção e sistema político no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.
Avritzer, Leonardo. 2016. Impasses da democracia no Brasil. Rio de Janeiro: Editora José Olympio.
Barros, Antonio Teixeira. 2015. “Sociologia da mídia: principais perspectivas e contrapontos”. Século XXI: Revista de Ciências Sociais 5 (1): 186-223.
Bittencourt, José Neves. 1986. “Espelho da ‘nossa’ história: imaginário, pintura histórica e reprodução do século XIX brasileiro”. Tempo Brasileiro 87: 58-78.
Bohn, Simone R. 2012. “Corruption in Latin America: Understanding the Perception-Exposure Gap”. Journal of Politics in Latin America 4 (3): 67-95.
Bonifácio, Robert e RafaelPaulino. 2015. “Corruption and Political Participation in the Americas and the Caribbean”. Brazilian Political Science Review 9 (2): 54-80.
Carrara, Kester e DiegoMansano Fernandes. 2018. “Corrupção e seleção por consequências: uma análise comportamental”. Psicologia: Teoria e Pesquisa 34: e3423.
Colen, Celia Maria Ladeira. 2010. “As covariantes da confiança política na América Latina”. Opinião Pública 16 (1): 1-27.
“Congresso Nacional recebe pior avaliação desde ‘anões do orçamento’”. 2015. DataFolha, novembro 30. http://datafolha.folha.uol.com.br/opiniaopublica/2015/11/1712977-congresso-nacional-recebe-pior-avaliacao-desde-anoes-do-orcamento.shtml
“Corrupção já é a maior preocupação de 65% dos brasileiros”. 2016. Confederação Nacional da Indústria, http://www.portaldaindustria.com.br/cni/publicacoes-e-estatisticas/estatisticas/2016/01/1,80708/rsb-28-problemas-e-prioridades.html
Cunha, Isabel Ferin e BrunoAraújo. 2018. “News on corruption and sociability networks: An exploratory study about Portugal, Brazil and Angola”. OBS* 12 (2): 90-107.
Esser, Frank e JesperStrömbäck. 2014. Mediatization of politics: Understanding the Transformation of Western Democracies. Londres: Palgrave Macmillan.
Filgueiras, Fernando. 2009. “A tolerância à corrupção no Brasil: uma antinomia entre normas morais e prática social”. Opinião Pública 15 (2): 386-421.
Fortini, Cristina e ArianeShermam. 2018. “Corrupção: causas, perspectivas e a discussão sobre o princípio do bis in idem”. Revista de Investigações Constitucionais 5 (2): 91-112.
Garcilazo, Romina. 2019. “Los escándalos de corrupción retratados por la prensa. El caso de El Banco Provincial de Santa Fe (Argentina) durante la segunda mitad del siglo XIX”. Anuario Colombiano de Historia Social y Cultural 46 (1): 209-230.
Gomes, Emanoel Pedro Martins e Claudiana Nogueirade Alencar. 2019. “A mídia como ator político: uma análise de textos da revista Veja sobre casos de corrupção política”. Alfa 63 (1): 81-111.
Gonçalves, Vinícius Batista e DanielaMeirelles Andrade. 2019. “A corrupção na perspectiva durkheimiana: um estudo de caso da Operação Lava Jato”. Revista de Administração Pública 53 (2): 271-290.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Censo Demográfico de 2010.http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/imprensa/ppts/00000008473104122012315727483985.pdf
“Instituições políticas perdem ainda mais a confiança dos brasileiros”. 2015. Ibope Inteligência, julho 30, https://www.ibopeinteligencia.com/noticias-e-pesquisas/instituicoes-politicas-perdem-ainda-mais-a-confianca-dos-brasileiros/
LopesJunior, EliasPereira, SamuelFaçanha Câmara, LeoninoGomes Rocha e AlexandreBrasil. 2018. “Influência da corrupção nos gastos das empresas estatais”. Revista de Administração Pública 52 (4): 695-711.
Marani, Sílvio César Zákhia, MozarJosé Brito; GustavoCosta Souza e Valériada Glória Pereira Brito. 2018. “Os sentidos da pesquisa sobre corrupção”. Revista de Administração Pública 52 (4): 712-730.
Matos, Paulo. 2018. “Uma nota sobre o impacto da corrupção no endividamento dos Estados brasileiros”. Revista Brasileira de Economia 72 (2): 186-195.
Melgar, Natalia, MáximoRossi e Tom W.Smith. 2010. “The perception of corruption in a cross-country perspective: Why are some individuals more perceptive than others?” Economia Aplicada 14 (2): 183-198.
Meneguello, Rachel. 2011. “O lugar da corrupção no mapa de referências dos brasileiros: aspectos da relação entre corrupção e democracia”. Em Corrupção e sistema político no Brasil, organizado por LeonardoAvritzer e FernandoFilgueras, 63-82. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.
Mires, Fernando. 2006. “Los diez peligros de la democracia en América Latina”. Cuadernos del CENDES 23 (61): 1-38.
Nascimento, Luma Neto do. 2018. “Mais capacidade estatal, menos corrupção? Uma análise para a América Latina (1996-2015)”. Revista de Sociologia e Política 26 (68): 95-120.
Poeschl, Gabrielle e RaquelRibeiro. 2014. Fatores de variação na percepção da corrupção. Coimbra: Coimbra Editora.
Power, Timothy J. e JúlioGonzález. 2003. “Cultura política, capital social e percepções sobre corrupção”. Revista de Sociologia e Política 21: 51-69.
Rocha, Leonardo Andrade, AhmadSaeed Khan, Patrícia VerônicaPinheiro Sales Lima, Maria EsterSoares Dal Poz e Fernando Porfírio Soaresde Oliveira. 2019. “O ‘efeito nefasto’ da corrupção no Brasil: ‘quem paga mais?’ Aplicações com o uso de regressões quantílicas com variáveis instrumentais”. Nova Economia 29 (1): 277-305.
Rodrigues, Malena Rodrigues. 2011. “O papel da imprensa na qualidade democrática — uma análise de possibilidades nos principais jornais nacionais”, tese de doutorado em Ciência Política. Universidade do Estado do Rio de Janeiro / Centro de Formação da Câmara dos Deputados, Brasília, Brasil.
Rubim, Antonio Albino Canelas. 1992. “Sociabilidade, Comunicação e Políticas Contemporâneas”. Textos de Cultura e Comunicação 27: 23-38.
Santos, Renato Almeida, Arnoldo JoseGuevara e Maria Cristina SanchesAmorim. 2013. “Corrupção nas organizações privadas: análise da percepção moral segundo gênero, idade e grau de instrução”. Revista de Administração 48 (1): 53-66.
Souza, Amanda Morais. 2014. “Corrupção: perspectivas para um problema internacional”. Conjuntura Global 3 (4): 114-129.
Speck, Bruno Wilhelm. 2012. “O financiamento político e a corrupção no Brasil”. Em Temas de corrupção política, organizado por Rita de Cássia Blason, 49-97. São Paulo: Balão Editorial.
Treisman, Daniel. 2000. “The causes of corruption: a cross-national study”. Journal of Public Economics 76 (3): 399-457.
Wolfsfeld, Gadi, MoranYarchi e TalSamuel-Azran. 2016. “Political information repertoires and political participation”. New Media & Society 18 (9): 2096-2115.
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.