Colombia Internacional

Colomb. int. | eISSN 1900-6004 | ISSN 0121-5612

Revisitando o modelo político-burocrático de análise da tomada de decisões: o caso da criação do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS) e da política externa brasileira no segundo governo Lula

No. 127 | 2026-09-08
  • Guilherme Fenício Alves Macedo
    Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Brazil
    ORCID iD: https://orcid.org/0000-0003-3595-5117
  • André Mendes Pini
    Universidade Católica de Brasília (UCB), Brazil
    ORCID iD: https://orcid.org/0000-0003-4038-9607
  • Lucas Oliveira
    SEDA College, Brazil
    ORCID iD: https://orcid.org/0000-0002-6018-8434

Resumo

Objetivo/contexto: As preocupações com a segurança na América do Sul constituem um tema central da agenda de diálogo político regional, moldando o comportamento dos Estados à medida que os governos, diante de fatores estruturais e conjunturais, estabelecem alianças ou instrumentos de cooperação no campo da defesa. Considerando a relevância dessa agenda, a atenção ao papel desempenhado pelos agentes institucionais domésticos reafirma a importância do modelo político-burocrático no âmbito da Análise de Política Externa (APE), abordagem que concebe a política externa como uma política pública e, portanto, sujeita à interação entre atores posicionados institucional e hierarquicamente. Com base nessa perspectiva, este estudo tem como objetivo analisar, por meio do modelo político-burocrático de tomada de decisões, o processo de formulação da proposta do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS) durante o segundo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2006 e 2008. A hipótese central sustenta que, embora a iniciativa tenha dependido decisivamente do engajamento pessoal de indivíduos hierarquicamente posicionados, sua viabilização ocorreu graças a estruturas burocráticas e tradições institucionais que transcenderam a conjuntura político-ideológica associada à chamada “onda rosa”. Metodologia: Adotando uma abordagem analítico-descritiva, esta pesquisa caracteriza-se como um estudo de caso único teoricamente orientado, fundamentado na análise documental de fontes primárias provenientes de arquivos públicos. O modelo político-burocrático é operacionalizado por meio da identificação dos atores envolvidos, de suas preferências prévias e recursos disponíveis, bem como pela reconstrução dos processos de negociação que permitiram superar as resistências existentes durante a formulação da proposta. Conclusões: Os resultados da análise apontam para uma dinâmica institucional na qual as aspirações individuais dos atores envolvidos na formulação do CDS foram indispensáveis, revelando uma inovação no padrão de atuação brasileiro em relação à coordenação regional da defesa. Contudo, tais aspirações somente prevaleceram porque foram processadas por meio de estruturas burocráticas preexistentes e de rotinas de negociação já consolidadas. Originalidade: Além de contribuir para a discussão teórica sobre o modelo político-burocrático na análise de política externa, o estudo contribui para a compreensão dos fatores e particularidades do caso brasileiro na criação de um mecanismo relevante de diálogo, cooperação e coordenação em matéria de defesa. Da mesma forma, propõe uma interpretação alternativa às explicações que atribuem o surgimento do CDS principalmente à conjuntura ideológica regional.

Palavras-chave: Conselho de Defesa Sul-Americano , análise de política externa , modelo político-burocrático de tomada de decisões , governo Lula

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