Educação sexual e incertezas entre o professorado. Análise da implementação do Programa de Educação Sexual Integral nos Institutos Provinciais de Educação Média da cidade de Córdoba (Argentina)
No. 2 (2013-12-01)Autor(es)
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Tomás IosaUniversidad Nacional de Córdoba, Córdoba, Argentina (iosatomas@gmail.com)
Resumo
Na Argentina uma reforma educativa sancionada pela lei 26.150 em 2006 conformou o Programa de Educação Sexual Integral (PESI). Seu objetivo é formar as práticas pedagógicas em educação sexual e garantir maior equidade de gênero transcendendo as limitações da socialização sexual e de gênero do âmbito familiar. Considerando, em primeiro lugar, o professorado como um ator chave para o sucesso da reforma educativa, e, em segundo lugar, algumas características do sistema educativo condicionantes da adaptação a da reforma entre profissionais da educação, focalizamos este estudo nos processos de implementação e avaliação que o mesmo professorado faz dos alcances e limitações desta reforma. O artigo indaga tendências tanto da prática da educação sexual anterior à lei como da adaptação ao PESI entre docentes cordobenses que trabalham nos Institutos Provinciais de Educação Média (IPEM). Os dados apresentados neste artigo foram gerados principalmente mediante um questionário embasado em uma mostra teórica. As análises ilustram um paradoxo: a institucionalização de um programa estatal cujo objetivo é promover e facilitar uma prática pedagógica resulta, na maioria dos casos, avaliada negativamente desde o professorado e vista como um fator que obstaculiza esta prática ou é gerador de incertezas. Aborda-se assim um tema clássico da sociologia política da educação e exploram-se hipóteses sobre os fatores que incidem negativamente na representação que os docentes têm desta política pública.