A revolução silenciosa: inteligência artificial, justiça social e mudança comunitária
No. 13 (16-09-2025)Autor(es)
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Sara Duque RuizUniversidad de AntioquiaORCID iD: https://orcid.org/0009-0003-4182-3986
Resumo
A inteligência artificial (IA) está transformando silenciosamente a vida cotidiana na América Latina. Neste artigo, a partir de uma perspectiva crítica e decolonial, examina-se como os algoritmos podem perpetuar desigualdades e promover a justiça social e a organização comunitária. Dois casos específicos são analisados: Sisbén (sistema oficial de classificação socioeconômica) IV na Colômbia, um sistema que classificou injustamente as comunidades afrodescendentes, e o projeto comunitário Alerta de Mareas Rojas em Cartagena, onde pescadores artesanais treinaram um sistema de IA com sensores de baixo custo para prever a florações de algas e proteger seus meios de subsistência. O texto argumenta que dados e modelos algorítmicos podem reproduzir lógicas coloniais, mas também destaca que a governança participativa, baseada na soberania de dados e na justiça cognitiva, pode reorientar o uso da IA para o bem comum. São propostos cinco princípios para uma ética algorítmica decolonial e comunitária, e conclui-se com um apelo reflexivo à construção de políticas públicas que não deleguem a ética à tecnologia, mas a incorporem por meio da participação social.
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