“Raça”: variáveis históricas
No. 26 (2007-04-01)Autor(es)
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Max S. Hering Torres
Resumo
No presente artigo define-se a “raça” como uma construção e prática social, assim como um ideário que se tem desenvolvido através do poder do discurso. Dita categoria, mais que uma realidade biológica, é uma construção intelectual e social que acarreta uma variedade de conteúdos significativos ao longo da história. No entanto, o conceito de “raça” tem conservado sua funcionalidade: diferenciar, segregar, tergiversar a outredade e, desta maneira, “racializar” (racialization) por meio do determinismo biológico das relações sociais. Com o propósito de testar esta hipótese, o seguinte texto apresenta uma análise histórica que evidencia a dinâmica e variabilidade do imaginário “raça”. Um esboço histórico que embora, não pretenda abranger a totalidade da história do racismo, compreende a “Limpeza de Sangue” na Espanha (séculos XIV-XVII), os discursos legitimadores da nobreza francesa (séculos XVI-XVIII), as taxonomias pseudocientíficas (séculos XVII e XVIII), a ambivalência da Ilustração e o racismo científico (século XIX) como o prelúdio da Shoah. Finalmente, apresentam-se um balanço e umas reflexões derivadas da genética como prova adicional da ficção do conceito em questão.
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