Aspectos do debate sobre a “questão religiosa” na Colômbia, 1930-1935
No. 41 (2011-12-01)Autor(es)
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Thomas J. Williford
Resumo
Os veredictos dos partidos tradicionais colombianos sobre a “questão religiosa” pressupunham que os mais fortes defensores da Igreja fossem conservadores e os mais anticlericais, liberais. A eleição de Olaya Herrera, presidente liberal, em 1930, deu esperanças aos que queriam construir um país mais laico, depois de quase cinquenta anos de governos conservadores aliados ao clero. Contudo, os presidentes da República Liberal queriam evitar um conflito eclesiástico; certos anticlericais impulsionaram, a partir da imprensa e dos seus postos políticos, uma discussão sobre a “questão religiosa”. A alta hierarquia eclesiástica se sentia ameaçada e decidiu organizar um Congresso Eucarístico Nacional, que se celebrou em agosto de 1935, como amostra coletiva de forças para lidar com os descrentes. A maioria esquerda do Congresso municipal de Bogotá enviou ao Congresso um depreciativo telegrama; essa missiva e a relação que provocou nos membros do clero uniram os temas e os medos dos atores dos dois extremos do debate, fazendo calar as vozes mais moderadas. Os opositores se converteram em caricaturas e o discurso político se inclinou ainda mais a um “diálogo de surdos”, empregando uma retórica de violência e eliminação.
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