Mulheres Brasileiras na divisão internacional do trabalho reprodutivo: construindo subjetividade(s)
No. 45 (2013-01-01)Autor(es)
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Manoela Carpenedo
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Henrique Caetano Nardi
Resumo
Este estudo visa a compreender o modo pelo qual mulheres brasileiras participantes da cadeia internacional do trabalho reprodutivo são subjetivadas pela migração, pelas normas de gênero e pelo trabalho reprodutivo. Partindo dos estudos Foucaultianos sobre a formação subjetividade(s), esta pesquisa analisa os efeitos do “acontecimento migração” na vida de oito trabalhadoras domésticas brasileiras no setor reprodutivo parisiense. Os resultados apontam para uma complexa e multifacetada gama de experiências proporcionadas pela migração. As elaborações vivenciadas por estas mulheres não respondem somente aos regimes opressivos, discriminatórios e exploratórios que modulam o trabalho reprodutivo transnacional, já que elas puderam, em certa medida, criar alguns espaços de resistência, reinventando suas vidas de modo a incrementar suas práticas de liberdade em relação às formas de assujeitamento. Por um lado, por certo, estas trabalhadoras domésticas experenciam subordinação e exploração no contexto europeu devido aos jogos de dominação verificados em um contexto de ilegalidade, falta de direitos, contratos informais de trabalho e pelas hierarquias desiguais estabelecidas entre trabalhadoras/ empregadoras. Por outro lado, estas trabalhadoras imigrantes são capazes de, ao mesmo tempo, se auto-reinventar através de um conjunto de estratégias de resistência, revertendo em certa medida as condições originais nas quais se subjetivaram.
Licença

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