Burocracias humanitárias na Colômbia: conhecimento técnico e disputas políticas na implementação da Lei de Vítimas e Restituição de Terras
No. 81 (2022-07-01)Autor(es)
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Juan Pablo Vera LugoPontificia Universidad Javeriana, Colombia.
Resumo
A partir de um estudo etnográfico da política de reparação a vítimas na Colômbia, este artigo estuda os processos de produção de conhecimento especializado ao longo de diferentes escalas e disputas das burocracias humanitárias nesse país. Estas emergem do desenvolvimento institucional de paradigmas de desenvolvimento e construção de paz, pelo menos desde 1982, com a criação do Plano Nacional de Reabilitação (PNR), da Rede de Solidariedade Social (RSS) em 1994, da Agência Presidencial de Ação Social e Cooperação Internacional em 2002 e do Departamento de Prosperidade Social (DPS) em 2011. Com o processo de submissão de alguns grupos paramilitares em 2006 (Lei de Justiça e Paz), a Lei de Vítimas e Restituição de Terras em 2011 e os acordos de paz com a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Exército do Povo (FARC-EP) em 2016, proliferaram instituições de transição associadas à verdade, à justiça e à reparação, e, com elas, burocracias e especialidades. Dessa maneira, este artigo explora, em particular, as tensões técnicas e políticas entre diferentes configurações profissionais e ideológicas associadas à implementação da política de reparação e como essas disputas são essenciais para entender as dimensões morais e ideológicas do humanitarismo e do desenvolvimento na Colômbia. Além disso, é estudado o papel das agências de cooperação no fortalecimento interinstitucional como uma dimensão específica da formação do Estado colombiano. Essas articulações configuram uma economia moral do humanitarismo que é caracterizada pelo experimentalismo institucional e pela formulação de projetos sociais, expectativas, planos e ideias que nunca se realizam, o que despoja essas políticas de qualquer potencial transformador ou emancipador. Desse modo, de uma perspectiva etnográfica, este texto evidencia as tensões técnico-políticas das burocracias humanitárias em escalas médias de estruturas institucionais regionais, nacionais e globais.
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