Consciência crítica como razoável fator de resiliência à delinquência juvenil. Uma abordagem psicossocial
No. 2 (2019-09-01)Autor(es)
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Vinicius Bandera1Polícia Militar do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil (viniciusbandera@gmail.com)
Resumo
Nosso propósito é discutir se jovens dotados de consciência crítica têm mais capacidade cognitiva de aferir sobre o que é legal, normativo, do que jovens que estejam em condição de alienação. Entendemos, em linhas gerais, consciência crítica como a capacidade cognitiva que leva alguém a ter consciência de si, subjetivamente, enquanto ser humano único e, objetivamente, enquanto ser humano em relações socioculturais com outros seres humanos, já que entendemos alienação como o contrário de consciência crítica. Desde a primeira infância, os seres humanos estão passíveis de serem atingidos tanto por um despertar e um desenvolvimento de consciência crítica quanto por um despertar e um desenvolvimento de alienação, dependendo das influências que lhes advenham do ambiente sociocultural (família, religião, grupos de pares, mídia/indústria cultural, escola etc.) em que estão inseridos e submetidos. Como resultado precípuo, problematizamos se jovens com maior grau de consciência crítica têm maior grau de resiliência a conflitar com a lei e vice-versa. Para melhor aferir nossa reflexão, optamos por situar nosso objeto de estudo sob um viés genealógico consideravelmente elástico: desde os anos 1990 até o momento brasileiro atual (2019).
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